Gravidez Indesejável.

outubro 28, 2009

Gravidez indesejável e a violência no Brasil


“Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar”

Chico Buarque

A gravidez indesejada pode ser uma das causas do alto índice de violência no Brasil? Segundo estudos, esta, no caso de mães adultas solteiras ou adolescentes, pode ser uma das maiores causas do aumento diário no índice de crimes violentos, como homicídio e estupros, no Brasil.

Baseados no estudo do economista norte americano Steven Levitt, autor do best-seller Freakonomics, onde relaciona a diminuição da criminalidade em bairros pobres dos Estados Unidos com a legalização do aborto, economistas brasileiros elaboraram estudos, também baseados na análise de estatísticas e dados demográficos econômicos, apontando como possível solução para uma diminuição da violência brasileira a instrução sexual e a própria legalização do aborto.

Gustavo Néri, economista PHD pela Princeton University e Gabriel Hartung, que está fazendo doutorado em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio, são dois desses estudiosos que colocam na mesa a discussão. Ambos apontam como uma das causas do alto índice de violência no Brasil e em bairros pobres o problema de mães solteiras e a gravidez, nem sempre precoce, mas sim, muitas vezes, indesejável. Segundo seus estudos, uma criança que nasce de uma gravidez não planejada tem maior tendência a entrar no mundo do crime. Isso acontece pois a mãe,solteira ou abandonada pelo parceiro, vive uma construção familiar deteriorada e não pode possibilitar uma boa condição de vida para seu filho, como frequentar uma escola, por exemplo. Ambos os economistas realizaram seus estudos baseando-se em pontos mais humildes do estado do Rio de Janeiro e São Paulo, comprovando a estatística da afirmação apontada em seus estudos.

Porém, a solução não é apenas a legalização do aborto, uma instrução sexual em escolas públicas também seria necessária, não bastando apenas a distribuição de preservativos, e sim educar sobre os riscos e tipos de prevenções que funcionam, alertar e ensinar os jovens, evitando futuros não desejados e que possam causar problemas maiores na vida deles mesmos. A prática do ensino sexual em escolas públicas não existe, não há políticas públicas que o garantem, e em muitos lares a falta de instrução é presente, não possibilitando uma conversa franca e educacional sobre o tema. Fora das casas a sexualidade e o aborto ainda são temas que não são discutidos abertamente devido a divergências de opiniões e crenças religiosas. Se esses assuntos fossem esclarecidos, provavelmente poder-se-ia resolver um dos maiores problemas que sofre o nosso país, a violência.

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