Pobres, jovens criminosos morrem anônimos.

outubro 28, 2009

Pobres, jovens criminosos morrem anônimos

 

Eles quase não aparecem na mídia, diferentemente de vítimas pertencentes à classe média, são meninos de rua assassinados por grupos de extermínio e cidadãos comuns, de vários grupos sociais, mortos por balas perdidas ou pela brutalidade policial. Vítimas sem glamour, os adolescentes e jovens pobres envolvidos com o tráfico de drogas e outras formas de criminalidade não têm sequer parentes dedicados a cultivar sua memória e a buscar justiça sempre.

Tampouco recebem apoio dos militantes de causas sociais. Acabam morrendo no quase anonimato, “desovados” em lixões da periferia ou em ruas das comunidades mais pobres. São adolescentes que se matam como feras e morrem como moscas, virando apenas mais um número nas contas da assustadora taxa de homicídios do país. A polícia é responsável por parte dessas mortes. Mas na maioria dos casos, os assassinos são os próprios jovens criminosos.

(…)

Fernando Dantas. O Estado de S. Paulo, 9/7/2000.

 

“Já foi nascendo com cara de fome

Não tinha nem nome pra lhe dar”

Chico Buarque

 

A canção “O meu guri”, gravada em 1981, tem como foco o jovem marginalizado dos grandes centros urbanos. Jovens que são arregimentados, ‘capturados’ pelo tráfico de drogas, ou seja, são soldados na/em guerra e que, como qualquer guerra, vão ao front para matar ou morrer. E, embora transcorridos 28 anos, é este um assunto que, infelizmente, ocupa espaço nos cadernos policiais de boa parte dos jornais de circulação nacional.

Em todos os países, uma das maiores preocupações é o bem-estar social das crianças e adolescentes, ou seja, do convívio e desenvolvimento social da família em uma sociedade.  Entretanto, a infância é a maior vítima da violência. Uma criança ou um jovem morador de favela pertencente ao mundo do crime não é apenas um bandido, e sim é um reflexo da história de um país onde o direito à cidadania é nulo, está apenas no papel.

Através da música “O meu guri”, notamos uma denúncia à realidade da época, mesmo após a criação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), em 1990. No ECA, a lei nº 8.069, retrata os direitos e deveres dos menores de idade, estabelecendo o compromisso da sociedade e do poder público. Infelizmente há uma diversidade enorme de infrações relacionadas à Lei.  Pode-se relacionar a letra da música com o art. nº 7 do ECA, que trata da “…efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existências”; com o art. nº 15, que diz: “ A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis e sociais garantidos na Constituição e nas leis”; e finalmente com o artigo “A criança será registrada imediatamente após seu nascimento e terá direito, desde o momento em que nasce a um nome, a uma nacionalidade e, na medida do possível, a conhecer seus pais e a ser cuidada por eles.”

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