Interpretação da música.

A letra da música, escrita por Chico Buarque, tem como eu-lírico uma mulher. Esta conta a história de seu filho para alguém (em todas as estrofes ela se refere ao ‘seu moço’, o que indica a relação entre ela e quem a escuta).

A vida da mãe junto ao seu filho é de miséria, ela não tinha condições de sustentá-lo (Já foi nascendo/Com cara de fome/Como fui levando/Não sei lhe explicar), a mãe não tem sequer documentos para registrar o filho e torná-lo cidadão perante o estado (E eu não tinha nem nome/Prá lhe dar). Os dois moram em favela (Chega no morro/Cá no alto)

Fica claro que o guri não quer continuar nessa situação de pobreza (E na sua meninice/Ele um dia me disse/Que chegava lá). Ele deseja objetos associados à riqueza, fama e dignidade tanto para ele quanto para a mãe: presente, bolsa, corrente de ouro. Nesses objetos estão embutidos os valores que ele busca.

Já na segunda estrofe inicia-se a transformação e o guri assume o seu fazer (Traz sempre um presente/Pra me Encabular/Tanta corrente de ouro/Seu moço/Que haja pescoço/Pra enfiar /Me trouxe uma bolsa/Já com tudo dentro/chave, caderneta/Terço e patuá) e transforma sua vida e a vida de sua mãe. Saem da miséria e anonimato (Um lenço e uma penca de documentos/Pra finalmente eu me identificar). Ele consegue tudo isso através de um elemento que fica implícito no texto da canção: o roubo. Essa idéia fica comprometida pelo usa da palavra ‘carregamento’ que possui uma carga semântica que, no jargão policial, significa/identifica o transporte de mercadorias ilegais ou contrabandeadas, ilícitas. E também pelo fato de ele trazer uma bolsa para sua mãe com tudo dentro, até documentos.

 

Se a mãe sabe ou não que o filho participa dessas atividades não fica claro. Existe uma dúvida se ela não sabe ou se prefere acreditar que ele tem um trabalho honesto (Chega suado/E veloz do batente /E o danado já foi trabalhar/Rezo até ele chegar/Cá no alto/Essa onda de assaltos/Tá um horror/ Eu não entendo essa gente/Seu moço!/Fazendo alvoroço demais).

Na quarta estrofe a história é finalizada. O menino morre (O guri no mato/Acho que tá rindo/Acho que tá lindo/De papo pro ar) , tudo indica que foi assassinado e noticiam sua morte em páginas policiais de um jornal. Os elementos colocados na letra indicam que ele é menor de idade (Chega estampado/Manchete, retrato/Com venda nos olhos/Legenda e as iniciais). A mãe conta e de certa forma se mostra orgulhosa (Ele disse que chegava lá).

Durante toda a música a mãe repete (Olha aí!/Ai o meu guri, olha aí), e essa repetição deixa, para quem escuta a música, uma sensação de que a mãe chama por seu filho de maneira orgulhosa durante toda a canção, como se quisesse dizer “esse é meu filho”.

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